Rob Davis, Nick McMillan e Matthew Kish
Destaques
Salário digno: A Nike afirma que as pessoas que fabricam seus produtos devem ganhar o suficiente para viver com dignidade e ainda ter uma renda extra – ou seus empregadores devem ter um plano para garantir isso.
Mudanças no mercado de trabalho: A cadeia de suprimentos na Indonésia cresceu em locais onde o salário-mínimo não atinge uma das principais estimativas para um salário digno, enquanto diminuiu em áreas com salários melhores.
Resposta da empresa: A Nike afirma que as regiões menos desenvolvidas onde opera não devem ser excluídas do crescimento econômico, acrescentando em um comunicado: “Crescimento e progresso andam de mãos dadas”.
Se você está entre os mais de 1 milhão de pessoas que fabricam os tênis e roupas da Nike ao redor do mundo, a empresa diz que você deve ser capaz de sustentar sua família. Você deve ganhar o suficiente para pagar suas despesas e ainda ter uma renda extra. Se o seu salário na fábrica não for suficiente, seu empregador deve ter um plano para garantir isso.
Mas a expansão da Nike na Indonésia na última década prejudicou diretamente esses objetivos, segundo uma análise da ProPublica e do The Oregonian/OregonLive.
Ao longo da última década, o emprego em fábricas que fornecem para a maior marca de vestuário esportivo do mundo cresceu drasticamente em regiões da Indonésia onde, de acordo com uma estimativa importante, o salário-mínimo é inferior ao necessário para a subsistência dos trabalhadores. Enquanto isso, a cadeia de suprimentos da Nike encolheu no geral locais que pagam esse salário-mínimo melhor, constatou nossa análise.
A tendência mostra como a movimentação de corporações multinacionais para países com custos de mão de obra cada vez menores está sendo substituída, em alguns casos, por movimentações dentro do próprio país, que podem gerar economias significativas e melhorar os resultados financeiros.
Os fornecedores da Nike empregam 280 mil pessoas na Indonésia, o segundo maior centro de produção da empresa.
De 2015 até o ano passado, esses fornecedores eliminaram cerca de 36 mil empregos em locais onde o salário-mínimo mensal é superior ou se aproxima do salário-mínimo necessário para uma vida digna. Nessas áreas de altos salários, que incluem a capital Jacarta, o salário-mínimo normalmente equivale a cerca de US$ 300 por mês.
Em contraste, a força de trabalho dos fornecedores da empresa cresceu em quase 112.000 pessoas em partes de Java Central e Ocidental, onde os salários-mínimos locais geralmente giram em torno de US$ 165 por mês – muito aquém do que é considerado suficiente para viver. Dezenas de trabalhadores empregados por fornecedores da Nike na Indonésia disseram às agências de notícias que o salário-mínimo é praticamente tudo o que ganham.
“Se a produção exige muita mão de obra, você vai para onde a mão de obra é mais barata”, disse Nurina Merdikawati, professora do Projeto Indonésia da Universidade Nacional da Austrália. Na Indonésia, disse ela, “esse lugar é Java Central”.
Outras marcas também se mudaram para Java Central e outras regiões de baixos salários da Indonésia nos últimos anos continuam se expandindo por lá, conforme noticiado por veículos de imprensa locais.
Brasília e São Paulo, 6 de março de 2026.
O ODTI traduziu este texto da página da Pro Publica, uma entidade que tem por missão declarada “expor os abusos de poder e o abuso da confiança pública por parte do governo, das empresas e de outras instituições, utilizando a força moral do jornalismo investigativo para impulsionar a reforma através da divulgação contínua das irregularidades”: https://www.propublica.org/article/nike-jobs-indonesia-living-wages