The Business and Human Rights Centre, publicado em 12 de maio de 2026.
Em 2025, pessoas em todo o mundo tomaram medidas corajosas para enfrentar crises globais interligadas, como a aceleração da crise climática, a expansão de conflitos armados, o retrocesso democrático e a consolidação do poder corporativo.
O Centro de Empresas e Direitos Humanos documentou quase 800 ataques (790) contra pessoas defensoras em 80 países, manifestando preocupações relacionadas às empresas. Isso representa mais de dois ataques, em média, por dia e mais do que em qualquer ano desde 2020. Quase um terço dos ataques (30%) foi contra Povos Indígenas, que representam apenas 6% da população mundial.
O CEDH convidou TotalEnergies, TotalEnergies EP Uganda, EACOP, Uganda National Oil Company, Tanzania Petroleum Development Corporation, China National Offshore Oil Corporation (CNOOC), Stanbic Bank, Kenya Commercial Bank, First Quantum Minerals, Korea Mine Rehabilitation and Mineral Resources Corporation (KOMIR), Dinant, Leonardo, Freeport McMoRan, PT Freeport Indonesia, PT Mineral Industri Indonesia, Silvercorp Metals, Salazar Resources, Curimining, Dutch Development Bank (FMO), Central American Bank for Economic Integration (CABEI), Exxon Mobil, Energy Transfer, Gibson Dunn and TigerSwan a apresentar as suas observações.
As respostas de TotalEnergies, TotalEnergies EP Uganda, EACOP, Uganda National Oil Company, First Quantum Minerals, Korea Mine Rehabilitation and Mineral Resources Corporation (KOMIR), Dinant, Freeport McMoRan, PT Freeport Indonesia, Silvercorp Metals, Curimining, Dutch Development Bank (FMO) podem ser encontradas na página do Centro.
As outras empresas não responderam.
Principais conclusões
- Ataques contra pessoas defensoras que levantam preocupações sobre práticas empresariais ocorreram em praticamente todos os setores corporativos, em todas as regiões do mundo, sendo que 42% dos ataques ocorreram na América Latina e no Caribe e 30% na Ásia e no Pacífico.
- Três quartos dos ataques (75%) foram contra pessoas defensoras do clima, da terra e/ou do meio ambiente.
- Cinquenta e três pessoas defensoras que se manifestavam contra danos relacionados a empresas foram mortas em 2025. Quase um terço (30%) delas eram de povos indígenas.
- O tipo mais comum de ataque foi o assédio judicial, incluindo criminalização e SLAPPs – representando mais da metade de todos os ataques registrados (52%).
- Mineração, combustíveis fósseis e agronegócio – principais fatores impulsionadores de desmatamento – continuaram sendo os setores associados ao maior número de ataques.
- Quarenta e seis ataques foram contra pessoas defensoras que expressavam preocupações sobre empresas de armamentos e sua cumplicidade em conflitos e genocídios – um aumento significativo em relação aos apenas dois ataques registrados por ano em 2023 e 2024.
- Os cinco projetos e empresas associados ao maior número de ataques em 2025 foram:
- O Oleoduto de Petróleo Bruto da África Oriental (EACOP pela sigla em inglês) em Uganda e na Tanzânia;
- A mina de Grasberg, na Indonésia;
- A empresa aeroespacial, de defesa e segurança Leonardo, na Itália;
- A mina Cobre Panamá, no Panamá.
- A empresa de agronegócio Dinant, em Honduras. Ambos os projetos de mineração extraem cobre, considerado um mineral-chave para a transição.
- Nos casos em que os autores de ataques contra pessoas que expressavam preocupações sobre as atividades das empresas foram identificados, 86% eram atores estatais – geralmente a polícia, o sistema judicial ou autoridades locais. Mesmo quando os abusos são cometidos por atores estatais, as empresas ainda podem estar ligadas a eles, por exemplo, ao instar as autoridades a dispersar protestos pacíficos ou ao amplificar desinformação que leva à criminalização.
- A crescente sobreposição entre a governança orientada pela segurança e a influência corporativa, amplificada pelas tecnologias digitais usadas para restringir o espaço cívico, está intensificando as restrições às liberdades cívicas e aumentando os riscos para pessoas defensoras e comunidades em todo o mundo.
Leia o relatório “Navegar uma encruzilhada global: pessoas defensoras dos direitos humanos e empresas em 2025”: https://www.business-humanrights.org/pt/from-us/briefings/hrds-2026/navigating-a-global-crossroads-human-rights-defenders-and-business-in-2025
Brasília e São Paulo, 15 de maio de 2026.
O ODTI traduziu este texto da página The Business and Human Rights Centre, ativa organização em defesa dos direitos humanos: https://www.business-humanrights.org/pt/from-us/briefings/hrds-2026/navigating-a-global-crossroads-human-rights-defenders-and-business-in-2025