Sindicalismo na nova (des)ordem mundial

Primeira noite do Seminário “Sindicalismo na nova (des)ordem mundial” debate desafios da nova classe trabalhadora

James Green, presidente do WBO e mediador da primeira mesa, trouxe a perspectiva norte-americana e relatou que seus seis anos residindo no Brasil o ensinaram “a fazer sindicalismo nos EUA”. Ele alertou para as ameaças à democracia em seu país, mas destacou a forte mobilização de trabalhadores negros e latinos para mudar a estrutura de poder local. O historiador pontuou ainda a importância das eleições brasileiras para a América Latina e explicou o trabalho das  redes de solidariedade ao Brasil que informam os trabalhadores que hoje vivem nos EUA sobre o cenário político do Brasil, destacando a necessidade de vigilância externa contra tentativas de desestabilização feitas pelo governo Trump.

Neofascismo e a crise do trabalho

Finalizando a noite, Antonio Lisboa, secretário de relações internacionais da CUT, abordou como o avanço do neofascismo e as mudanças tecnológicas impõem desafios inéditos. Lisboa explicou que as sementes do fascismo voltaram a germinar após a crise de 2008, impulsionadas pelas redes sociais e pelo suporte do sistema financeiro, promovendo um discurso focado no individualismo que desvaloriza os sindicatos.

“Na esteira disso, temos as reformas trabalhistas e fiscais. Mais de 70 reformas trabalhistas foram implementadas no mundo inteiro nos últimos 10 anos”, destacou Lisboa. Embora a maioria tenha retirado direitos, ele citou a atual mobilização brasileira pelo fim da escala 6×1 e pela redução da jornada como um exemplo de reação do movimento social para conquistar avanços positivos.

A nova economia e as diretrizes da OIT

O secretário da CUT alertou que a fusão do neoliberalismo com o neofascismo busca esvaziar o valor humano do trabalho, e que o modelo de sindicalismo industrial tradicional não responde mais à atual realidade tecnológica. “Precisamos encarar essa situação, pois daqui a pouco esta geração não terá sindicato”, alertou.

Como alternativa de enfrentamento, Lisboa apontou a recém-criada Convenção nº 193 da Organização Internacional do Trabalho (OIT), aprovada em Genebra em meados de junho. O documento estabelece diretrizes cruciais para a nova economia, como a supervisão humana de algoritmos, a primazia da realidade no reconhecimento de vínculos empregatícios e a garantia da liberdade sindical.

“Temos que lutar pela ratificação e usar os termos da convenção para estabelecer um mínimo civilizatório para as trabalhadoras e trabalhadores do mundo”, concluiu, defendendo uma estratégia que une a pressão institucional nos poderes públicos à conscientização da base de trabalhadoras e trabalhadores.

 

São Paulo, 1º de julho de 2026.