Diante da votação próxima no Senado argentino da “Reforma Trabalhista” proposta pelo governo de Milei, a maior central argentina, a CGT, vai fazer um protesto na quarta-feira próxima em Buenos Ayres.

Argentina: CGT se mobiliza contra “Reforma Trabalhista”

CGT pressiona para travar artigos-chave da reforma laboral*

 

Depois de anunciar uma concentração para a próxima quarta-feira nos arredores do Congresso argentino, quando o Senado tratará do projeto de “Reforma Trabalhista” impulsionado pelo governo, a CGT centra a sua atenção na estratégia para frear a iniciativa, assegurando que o governo não tem os votos necessários para aprová-lo. A idéia da central operária é reunir os votos suficientes para inverter os pontos “críticos”, avaliando a judicialização como uma das vias possíveis, tal como aconteceu com o Mega DNU* de dezembro de 2023.

O triunvirato** formado por Jorge Sola, Cristian Jerónimo e Octavio Argüello vê a reforma laboral como “uma longa guerra de várias batalhas”, em que a greve geral é uma carta valiosa, mas que deve ser jogada no momento certo. O triunvirato confia que vários legisladores que dialogam com o Presidente aprovaram o projeto em geral, mas, no momento de discutir cada artigo em particular, não acompanharão a iniciativa libertária.

Os principais artigos que os sindicalistas se propõem a combater preveem a ampliação das atividades que são consideradas “essenciais”, que garantem serviços mínimos em determinados ramos em feriados; a eliminação da ultratividade dos convênios coletivos, priorizando os acordos particulares por empresa, anulando a capacidade de negociação dos sindicatos; as alterações nas quotas solidárias que trazem os trabalhadores não filiados ao sindicato e a criação de um Fondo de Asignación Laboral (FAL), em substituição do atual sistema de indenizações.

O ás na manga que guarda a central operária é a judicialização daqueles pontos que fugirem ao filtro legislativo e que a central considera que dificilmente sejam considerados constitucionais em qualquer vara do trabalho. No entanto, a partir da condução advertem que a anulação na justiça “não será tão fácil” como com o Mega DNU.

 

Brasília e São Paulo, 11 de fevereiro de 2026.

 

Notas do ODTI

 

*O chamado Mega DNU  é o Decreto de Necesidad y Urgencia (DNU) 70/2023 “Bases para la reconstrucción de la Economía argentina” que pretendia destruir diversas leis e direitos dos argentinos e que teve muitas das suas clausulas denegadas pelo Justiça argentina.

**O chamado triunvirato refere-se ao grupo dirigente da CGU, composto hoje por Jorge Sola (Seguros), Cristian Jerónimo (Vidreiros) y Octavio Arguello (Caminhoneiros).

 

O ODTI traduziu este texto do jornal Pagina 12,  combativo jornal argentino:

https://www.pagina12.com.ar/2026/02/07/la-cgt-presiona-para-frenar-articulos-clave-de-la-reforma-laboral